Levantamento sobre a produção em BIM no ENTAC 2014 - Repercussão e considerações
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Levantamento sobre a produção em BIM no ENTAC 2014 – Repercussão e considerações
No post anterior apresentei um levantamento estatístico sobre a produção acadêmica relacionada ao BIM no ENTAC 2014. A pesquisa foi feita a partir dos anais do evento, coordenada e produzida por mim, com a ajuda da equipe do TI Lab, atual EBBIM - Empresa Brasileira de BIM, atual EBBIM, centro de treinamentos especializado em BIM, em que sou um dos sócios.
A título de informar a conclusão do levantamento, e também de informar aos pesquisadores que alguns deles foram nominalmente citados, decidi enviar um e-mail a todos. A resposta não poderia ter sido mais motivadora: recebi vários comentários, tanto pelo próprio post, quanto em meu e-mail, me parabenizando pelo trabalho e com mais informações, questionamentos e discussões (no melhor dos sentidos), de tal forma que achei importante repercutir em um novo post, para compartilhar com todos. Esse post está dividido em três seções:
Seção 1 - Opiniões relacionadas ao levantamento e mensagens de parabenização
Seção 2 - Minha opinião a respeito do levantamento e de sua repercussão
Seção 3 - Dicas que recebi sobre eventos relacionados à BIM em 2015
Opiniões relacionadas ao levantamento e mensagens de parabenização
Entre algumas das opiniões e comentários relacionados ao levantamento estão as palavras do arquiteto e doutor João Tales Oliveira, baiano radicado no Japão (toda a opinião dele está nos comentários do post anterior). Entre outras afirmações, ele diz (e eu concordo):
"Estou surpreso que duas universidades do nordeste estão produzindo mais artigos acadêmicos sobre BIM que outras universidades do sudeste e sul", e "Na minha opinião, o Brasil tem mais “profetas” do BIM que em outros países. Pessoas que publicam e discursam sobre o assunto sem contudo dominar o uso de ferramentas ou ter experiência na execução de projetos com base no BIM".
Além dessa opinião, recebi também mensagens de parabenização, via e-mail, de Adriane Borda, Alexandre Toledo, Aline Schaefer, Fernanda J. Chaves de Souza, Fernando Márcio, Gisele Saveriano De Benedetto, Raphaela Walger da Fonseca, Regina Ruschel e Ricardo Mendes Junior.
Fiquei muito satisfeito em compartilhar os dados originais da pesquisa com o prof. Dr. Douglas Barreto, da UFSCar - SP; depois de observar as tabelas, me retornou dizendo "excelente trabalho, minucioso e bem detalhado", o que me deixou bastante satisfeito e animado. Como dito no post anterior, quem tiver interesse pelos dados é só entrar em contato comigo.
Minha opinião a respeito do levantamento e de sua repercussão
Logo depois de enviar a mensagem aos pesquisadores, como comentei no início, recebi em poucos dias um e-mail da profa. Maria Bernadete Barison, que me ajudou a tomar a decisão de escrever este post. "Muito obrigada por nos enviar esta pesquisa! Muito interessante. A única coisa que eu tenho a dizer é que, gostaria de ler ao final, uma conclusão sua sobre esses dados...", disse ela.
Bom, para iniciar as minhas conclusões, achei muito legal que, após a pesquisa, cheguei a número de 6% de publicações relacionadas a BIM dentro do universo do levantamento, o que é um resultado semelhante à da pesquisa do prof. Kiviniemi, que foi muito mais extensa e relevante.
Quanto aos dados em si, em resumo, destaco o seguinte:
- Observando a tabela 2, me causou um verdadeiro espanto constatar que não foi encontrado nenhum termo relacionado à BIM nos artigos que foram enquadrados nos temas "Tecnologia de sistemas e processos construtivos", "Desempenho dos materiais e durabilidade das construções", Engenharia urbana e política habitacional", "Tecnologia dos materiais de construção", "Conforto ambiental e eficiência energética", "Reaproveitamento de resíduos na construção" e "Sustentabilidade urbana, rural e em edificações". Isto, para mim, é um claro indício de como o tema BIM provavelmente ainda é encarado como algo menor e sem relevância para a maior parte da comunidade acadêmica, o que é um perigoso engano. Acredito, entretanto, que uma boa parte dos pesquisadores, mesmo que em menor número, estão curiosos e procurando informações (que são poucas) de qualidade sobre BIM. Se a falta de estudos sobre BIM em diversos temas é motivo para preocupação? Acho que não, acho que é um sinal de que há muita, mas muita pesquisa interessante e relevante a ser feita, no escopo destes temas, o que significa que há muito trabalho para os pesquisadores.
- Quase todos temas que contém artigos que fazem menção à BIM ostentam uma taxa que varia entre 4% a 10% do total de artigos dentro de cada um deles; a exceção é, talvez por óbvio, o tema "Tecnologia da Informação e Comunicação", que apresentou 61% de conteúdo relacionado a BIM dentro de seu próprio universo. Acho bem provável que, em pouco tempo, essa taxa chegue muito próxima de 100%.
- Os estados do Sul, mais São Paulo, publicaram juntos mais de 60% do conteúdo relacionado à BIM; os estados do Pernambuco, Ceará e Sergipe fizeram o Nordeste ter uma participação de 21%. É espantoso perceber, na minha opinião, como estados com um grande número de boas instituições, como Rio de Janeiro e Minas Gerais, tem uma produção relacionada à BIM proporcionalmente tão pequena, quando se trata de números.
- Ao fazer a análise de instituições públicas X privadas, é impressionante perceber que só uma publicação sobre BIM tem origem em uma universidade particular, o Mackenzie, de São Paulo. Repito, uma.
- Uma estatística que ficou fora do post anterior, mas que publico agora, é que apenas 13,6% das pesquisas relacionadas a BIM foram feitas por pesquisadores de diferentes universidades em um mesmo artigo (3 de 22). Não sei se isso é normal no meio acadêmico, afinal estou conhecendo tudo agora, mas me parece que esse é um índice de colaboração interinstitucional muito baixo, o que pode tornar a evolução do tema BIM dentro do universo acadêmico mais lenta ainda. Imagino que a colaboração entre os pesquisadores de instituições diferentes produzindo e publicando pesquisas e artigos, juntos, tem um efeito catalisador muito poderoso, do mesmo modo como entendemos que para se trabalhar em BIM a colaboração é fundamental para o sucesso da empreitada.
- Não poderia deixar de observar que esse levantamento foi feito com base em uma pesquisa de termos, ou seja, ele afere a quantidade de artigos relacionados à BIM em relação ao todo, mas não à qualidade. Portanto, acredito que é necessário que existam novas pesquisas e estudos, baseados em métodos mais elaborados, que possam analisar a qualidade e relevância daquilo que é pesquisado e publicado sobre BIM no Brasil. Aliás, não só aqui, mas acho que essa é uma lacuna a ser preenchida em quase todos os países, se não todos eles.
- Alguns pesquisadores me enviaram links para outros seminários, encontros e eventos, como forma de sugerir que eu pudesse produzir outros levantamentos, ou mesmo para indicá-los como material de estudo. Isso foi muito bacana, pois mostra a carência que temos a respeito da organização da nossa própria produção. Somos arquitetos, engenheiros, consultores, professores, que estudamos muito e trabalhamos o tempo todo tentando fazer melhores projetos, aumentar a eficiência de processos, apontar gargalos em qualquer tipo de produção, estudar e propor melhores formas de gestão, e não conseguimos ler, medir, nem muito menos sistematizar a nossa própria produção com a agilidade e eficiência.
- Minha intenção, ao fazer aquele levantamento, não era me anunciar como um produtor de estatísticas; resolvi fazê-lo por curiosidade, porque aquela informação era importante para mim, e era possível de ser obtida, claro, com algum trabalho. Percebi, pela repercussão, que a demanda por esse tipo de informação é enorme. Não sei quando ou se vou fazer mais algum levantamento, mas o ideal seria que mais gente pudesse contribuir, ou que os próprios eventos pudessem (até mesmo a título de divulgação de um próximo evento) publicar os próprios números.
Dicas que recebi sobre eventos relacionados à BIM em 2015
indicações de Carina Folena, pesquisadora da UFJF - MG
COBENGE 2015 - XLIII Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia, de 8 a 11 de setembro na UFABC, em São Bernardo do Campo - SP
CAAD Futures, de 6 a 10 de julho na UNICAMP, Campinas - SP
indicação de Frederico Braida de Paula, também da UFJF - MG
SIGraDi 2015, de 25 a 27 de novembro na UFSC, em Florianópolis - SC
indicação de Miriam Addor, da USP - SP e Marcelo Maciel, da UFS - SE
TIC 2015, de 4 a 6 de novembro, em Recife - PE
indicação de Nathalia de Paula, da USP - SP
SBQP, de 19 a 21 de agosto na UFV, em Viçosa - MG
SIBRAGEC, de 7 a 9 de outubro na UFSCar - SP, em São Carlos - SP
Fim do post!
Por fim, quero agradecer mais uma vez à todos que tiveram a paciência de me acompanhar até aqui, com relação ao ENTAC. Espero que continuem me acompanhando, pois em breve vou publicar mais postagens a respeito do que venho pesquisando e aprendendo sobre BIM.
Opiniões relacionadas ao levantamento e mensagens de parabenização
Entre algumas das opiniões e comentários relacionados ao levantamento estão as palavras do arquiteto e doutor João Tales Oliveira, baiano radicado no Japão (toda a opinião dele está nos comentários do post anterior). Entre outras afirmações, ele diz (e eu concordo):
"Estou surpreso que duas universidades do nordeste estão produzindo mais artigos acadêmicos sobre BIM que outras universidades do sudeste e sul", e "Na minha opinião, o Brasil tem mais “profetas” do BIM que em outros países. Pessoas que publicam e discursam sobre o assunto sem contudo dominar o uso de ferramentas ou ter experiência na execução de projetos com base no BIM".
Além dessa opinião, recebi também mensagens de parabenização, via e-mail, de Adriane Borda, Alexandre Toledo, Aline Schaefer, Fernanda J. Chaves de Souza, Fernando Márcio, Gisele Saveriano De Benedetto, Raphaela Walger da Fonseca, Regina Ruschel e Ricardo Mendes Junior.
Fiquei muito satisfeito em compartilhar os dados originais da pesquisa com o prof. Dr. Douglas Barreto, da UFSCar - SP; depois de observar as tabelas, me retornou dizendo "excelente trabalho, minucioso e bem detalhado", o que me deixou bastante satisfeito e animado. Como dito no post anterior, quem tiver interesse pelos dados é só entrar em contato comigo.
Minha opinião a respeito do levantamento e de sua repercussão
Logo depois de enviar a mensagem aos pesquisadores, como comentei no início, recebi em poucos dias um e-mail da profa. Maria Bernadete Barison, que me ajudou a tomar a decisão de escrever este post. "Muito obrigada por nos enviar esta pesquisa! Muito interessante. A única coisa que eu tenho a dizer é que, gostaria de ler ao final, uma conclusão sua sobre esses dados...", disse ela.
Bom, para iniciar as minhas conclusões, achei muito legal que, após a pesquisa, cheguei a número de 6% de publicações relacionadas a BIM dentro do universo do levantamento, o que é um resultado semelhante à da pesquisa do prof. Kiviniemi, que foi muito mais extensa e relevante.
Quanto aos dados em si, em resumo, destaco o seguinte:
- Observando a tabela 2, me causou um verdadeiro espanto constatar que não foi encontrado nenhum termo relacionado à BIM nos artigos que foram enquadrados nos temas "Tecnologia de sistemas e processos construtivos", "Desempenho dos materiais e durabilidade das construções", Engenharia urbana e política habitacional", "Tecnologia dos materiais de construção", "Conforto ambiental e eficiência energética", "Reaproveitamento de resíduos na construção" e "Sustentabilidade urbana, rural e em edificações". Isto, para mim, é um claro indício de como o tema BIM provavelmente ainda é encarado como algo menor e sem relevância para a maior parte da comunidade acadêmica, o que é um perigoso engano. Acredito, entretanto, que uma boa parte dos pesquisadores, mesmo que em menor número, estão curiosos e procurando informações (que são poucas) de qualidade sobre BIM. Se a falta de estudos sobre BIM em diversos temas é motivo para preocupação? Acho que não, acho que é um sinal de que há muita, mas muita pesquisa interessante e relevante a ser feita, no escopo destes temas, o que significa que há muito trabalho para os pesquisadores.
- Quase todos temas que contém artigos que fazem menção à BIM ostentam uma taxa que varia entre 4% a 10% do total de artigos dentro de cada um deles; a exceção é, talvez por óbvio, o tema "Tecnologia da Informação e Comunicação", que apresentou 61% de conteúdo relacionado a BIM dentro de seu próprio universo. Acho bem provável que, em pouco tempo, essa taxa chegue muito próxima de 100%.
- Os estados do Sul, mais São Paulo, publicaram juntos mais de 60% do conteúdo relacionado à BIM; os estados do Pernambuco, Ceará e Sergipe fizeram o Nordeste ter uma participação de 21%. É espantoso perceber, na minha opinião, como estados com um grande número de boas instituições, como Rio de Janeiro e Minas Gerais, tem uma produção relacionada à BIM proporcionalmente tão pequena, quando se trata de números.
- Ao fazer a análise de instituições públicas X privadas, é impressionante perceber que só uma publicação sobre BIM tem origem em uma universidade particular, o Mackenzie, de São Paulo. Repito, uma.
- Uma estatística que ficou fora do post anterior, mas que publico agora, é que apenas 13,6% das pesquisas relacionadas a BIM foram feitas por pesquisadores de diferentes universidades em um mesmo artigo (3 de 22). Não sei se isso é normal no meio acadêmico, afinal estou conhecendo tudo agora, mas me parece que esse é um índice de colaboração interinstitucional muito baixo, o que pode tornar a evolução do tema BIM dentro do universo acadêmico mais lenta ainda. Imagino que a colaboração entre os pesquisadores de instituições diferentes produzindo e publicando pesquisas e artigos, juntos, tem um efeito catalisador muito poderoso, do mesmo modo como entendemos que para se trabalhar em BIM a colaboração é fundamental para o sucesso da empreitada.
- Não poderia deixar de observar que esse levantamento foi feito com base em uma pesquisa de termos, ou seja, ele afere a quantidade de artigos relacionados à BIM em relação ao todo, mas não à qualidade. Portanto, acredito que é necessário que existam novas pesquisas e estudos, baseados em métodos mais elaborados, que possam analisar a qualidade e relevância daquilo que é pesquisado e publicado sobre BIM no Brasil. Aliás, não só aqui, mas acho que essa é uma lacuna a ser preenchida em quase todos os países, se não todos eles.
- Alguns pesquisadores me enviaram links para outros seminários, encontros e eventos, como forma de sugerir que eu pudesse produzir outros levantamentos, ou mesmo para indicá-los como material de estudo. Isso foi muito bacana, pois mostra a carência que temos a respeito da organização da nossa própria produção. Somos arquitetos, engenheiros, consultores, professores, que estudamos muito e trabalhamos o tempo todo tentando fazer melhores projetos, aumentar a eficiência de processos, apontar gargalos em qualquer tipo de produção, estudar e propor melhores formas de gestão, e não conseguimos ler, medir, nem muito menos sistematizar a nossa própria produção com a agilidade e eficiência.
- Minha intenção, ao fazer aquele levantamento, não era me anunciar como um produtor de estatísticas; resolvi fazê-lo por curiosidade, porque aquela informação era importante para mim, e era possível de ser obtida, claro, com algum trabalho. Percebi, pela repercussão, que a demanda por esse tipo de informação é enorme. Não sei quando ou se vou fazer mais algum levantamento, mas o ideal seria que mais gente pudesse contribuir, ou que os próprios eventos pudessem (até mesmo a título de divulgação de um próximo evento) publicar os próprios números.
Dicas que recebi sobre eventos relacionados à BIM em 2015
indicações de Carina Folena, pesquisadora da UFJF - MG
COBENGE 2015 - XLIII Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia, de 8 a 11 de setembro na UFABC, em São Bernardo do Campo - SP
CAAD Futures, de 6 a 10 de julho na UNICAMP, Campinas - SP
indicação de Frederico Braida de Paula, também da UFJF - MG
SIGraDi 2015, de 25 a 27 de novembro na UFSC, em Florianópolis - SC
indicação de Miriam Addor, da USP - SP e Marcelo Maciel, da UFS - SE
TIC 2015, de 4 a 6 de novembro, em Recife - PE
indicação de Nathalia de Paula, da USP - SP
SBQP, de 19 a 21 de agosto na UFV, em Viçosa - MG
SIBRAGEC, de 7 a 9 de outubro na UFSCar - SP, em São Carlos - SP
Fim do post!
Por fim, quero agradecer mais uma vez à todos que tiveram a paciência de me acompanhar até aqui, com relação ao ENTAC. Espero que continuem me acompanhando, pois em breve vou publicar mais postagens a respeito do que venho pesquisando e aprendendo sobre BIM.


